
Era perfeita, e tinha o cara perfeito, aquele que deixava flores e comprava jóias para fazê-la feliz. Mas, de que adianta, ter o garoto perfeito, se quem te faz feliz é simplesmente aquele que não presta? De que adianta alimentar um amor inexistente? Não havia amor ali, nunca houve, ele nunca fez seu coração bater tão forte como aquele outro. Mas, por quê? O que ele tinha que ela o queria tanto? Pior, o que ela tinha que ele deixaria de querer todas as outras garotas que poderia ter? Egoísta e manipuladora, assim como ele. Dessa vez as semelhancias os uniram.
Não se entregariam assim tão rapidamente, não assumiriam que existia química ou algo mais entre eles. E se acaso alguém deixasse o orgulho para trás, o outro mataria todas as esperanças. Um quebraria o outro como se fosse feitos de vidro e não sentiriam remorso. Poderia haver uma trégua entre eles? Poderia, talvez, haver um casal ali?
Bastou um deles tropeçar para perceberem que necessitavam da presença um do outro mais do que suportariam, bastou um deslize. Uma provocação. Uma limousine e finalmente, a atração proibida. Se entregaram, naquela noite onde o céu estava escuro demais e parecia que tudo iria desabar um sobre o outro. Aquela noite mudaria todos os planos que os guiaram até ali.
A noite acabou. Ele não ligou, ela nem pensou em fazer o mesmo. Ele não disse oi, ela deus as costas. Dois orgulhosos, mas que por dentro se desejam. Se gostavam, ou deveria definir o que é gostar? Insônia, se sentir enjoado como se houvesse algo revirando no estômago… famosas borboletas. Isso não poderia estar acontecendo, assassinariam as borboletas e todos os outros sentimentos juntos.
Ele a queria, a desejava, ela era como nenhuma outra. Ela não era a mais bem vestida, nem era a mais magra nem a mais alta do salão, mas parecia brilhar um pouco mais que os outros. E ela sabia disso. Usaria todo seu poder para consegui-lá, e ela usaria toda sua força para mantê-lo afastado.
Não acreditava que tinha o poder de mudar algo, ele sempre foi tão galinha e galanteador, não deixaria de ser porque ela apareceu em sua vida. Porém, se você quer muito algo, você não para por nada, nem ninguém até conseguir. Ele não desistiria fácil. Não se desiste só porque as coisas estão difíceis. E é aí que os jogos começam, eles se destruiriam tentando atingir um ao outro. Em matéria de amor e guerra, todas as armas machucam. A pergunta é, quem viverá para lutar mais um dia?
Em um jogo a melhor estratégia é fazer seu maior rival apaixonar-se por você. Se continuassem, ambos morreríamos e se gostavam muito para deixar isso acontecer. No fim, o que tinham? O que eles eram? Tinham mais uma noite como aquela outra em que deu começo a essa guerra. E apesar de todos os contras, todas os seus defeitos e suas manipulações, havia amor. E esse era o verdadeiro motivo para fazê-la ficar e não deixa-lo sozinho, isso era o que importava. Três palavras, sete letras, diga isso.
Essa amor a consumia, a deixava frágil, como se fosse se despedaçar a um simples toque. Apenas uma masoquista poderia amar tamanho narcisista. Era hora de se entregar? De parar com os jogos e viver a realidade? Tem que decidir o que é importante. Manter seu orgulho e não ter nada, ou correr o risco e talvez, ter tudo?
Disse, no momento em que ele mais precisou, no momento em que ele desabou e não havia nada, nem ninguém para impedir. Disse as três palavras, se entregou ao sentimento. Tarde demais. Ele já não estava assim tão interessado em acabar com os jogos, era especialista nisso. A faria passar por todas as negações que ele passou, a faria querer a companhia dele.
E ela decidiu seguir em frente, mas toda vez que tentava ele aparecia, agindo como a amasse. Queria ter uma resposta para a pergunta que o fez a tanto tempo: O que eles eram? Talvez ele só desejava que ela fosse tão infeliz como ele. Queria a verdade agora, isso tudo era um jogo? Se fosse real, dariam um jeito. Mas se não fosse, então, ele teria que deixá-la partir. E ele a deixou partir, perdeu algo que ninguém sabia que tinha, seu coração. A deixou livre por saber que não seria capaz de fazê-la feliz, por saber que o amor ali não era suficiente.
Retornava a sua vida, bebidas, mulheres e dinheiro. Ela focava em qualquer coisa que não a faria tropeçar com ele. Quando está de cara com um futuro incerto, as questões que realmente odiamos perguntar são aquelas que tememos já saber a resposta. Como se houvesse maneira de sobreviver um sem o outro, como se algum dia ela fosse ficar bem. Agora, ele lutava. Perante ao verdadeiro amor não se desiste, mesmo que o objeto do nosso amor nos implore para que isso aconteça. O motivo pelo qual ele não podia dizer aquelas três palavras não é porque não é verdade, é porque tinha medo o suficiente para dizer e as mesmas palavras serem esquecidas como se fossem palavras jogadas ao vento - fez a coisa mais perigosa que podia quando disse: eu te amo e valeu a pena.
Assim como as estações, as pessoas têm a habilidade de mudar. Não acontece com freqüência, mas quando acontece, é sempre para o bem.As pessoas erram, cometem erros imperdoáveis. Um único erro seria o suficiente para destruir tudo o que construíram juntos? Ela o perdôou por algo que ninguém no mundo nunca superaria. Em seguida ele fez a única coisa que sabia que ela nunca deixaria passar. E não havia perdão depois disso, não havia mais nenhum capítulo dessa história.
Perdeu a única coisa que já amou. Isso o fez virar outra pessoa, talvez se tornar uma pessoa que alguém possa amar. Mas alguém havia amado e ele devia isso á ela. Estaria deixando tudo para trás como um covarde, o homem que era encararia o que fez. Mas como se ele havia destruído a única coisa que já amou? Ela já não o amava mais, ao menos se convencia disso. E era verdade que seu mundo seria um lugar melhor se ele não voltasse, mas não seria seu mundo sem ele.
Ela lutou, muito e por muito tempo, agora está cansada. O amor não faz sentido, nem seu comportamento agora. Não escrevem sonetos sobre compatibilidade ou romances sobre metas em comum, e conversas estimulantes. Mas não vivemos em Paris no século XX - embora desejamos.Existe uma diferença entre o grande amor, e o amor certo. Estava na hora de deixá-la ir, ele havia se convencido disso. Ela tomara todo o poder que tinha para se afastar, ainda não queria dizer adeus. Mas ele precisava deixá-la ir e para isso, ela havia que fazer o mesmo. Às vezes, a única coisa que nos resta é abraçar o outro, e então… Dizer adeus.
Tudo que ela havia feito era amá-lo. Nas ideias mais sombrias que já teve, nas piores coisas que já fez, ela sempre estaria ao seu lado. Só não imaginava que a pior coisa que ele faria, seria contra ela. Os grandes romances são os irracionais. Apesar de tudo, ela sabia que ele havia se tornado uma pessoa maravilhosa, diferente da que conheceu e esperava que o futuro não o mudasse. Pensavam que passariam o resto de suas vidas juntos, tinham o futuro planejado. Mas sabia o que era importante e fez a única escolha que poderia fazer. Como se mata um sentimento? Porque amor não simplesmente desaparece. Mas nunca poderiam ficar juntos. Sobreviveu sem ele até encontrá-lo e pretendia continuar assim. Iria o excluir da sua vida, esquecendo que sua prioridade sempre havia sido ele. O amor era a única coisa que importava, agora é a única que já não importa mais.
“Só porque não podemos ficar juntos, não quer dizer que eu não te ame.”
Era perfeita, e tinha o cara perfeito, aquele que deixava flores e comprava jóias para fazê-la feliz. Mas, de que...
(sentimentosindecifraveis)
(sentimentosindecifraveis)